quarta-feira, 10 de novembro de 2010

CAQUITO DE VIDRO


Quando penso que sou capaz,
Em te dizer o que realmente sinto,
Minha voz se cala e meu silencio grita
Por dentro uma dor que não se sente
Nem se reclama,
Por medo de magoa-te eu me prendo,
Renunciando minha razão,
Desconcertando-me em retalhos
Que foram desfiados em desejo,
Assim como caquitos de vidros estraçalhados
Em minúsculos pedaços de vidro,
Que refletia minha verdade em coisas sem importância,
Mais que esses pequenos pedaços de verdade,
Me cortava aos poucos, uma tortura sem fim,
Onde tudo era belo, mas meu desejo era irreal,
Ao ponto de perturbar minha mente
E te trazendo em minha frente seu sorriso sem graça,
Sua alma amarga e sua voz serena que me dizia
“O mundo e feito de regras se desfaz em desordem”
Onde tua vida foi feita de querer de definições e razões,
Mas o amor não tem regras nem se define,
Ele é vivido sem razão, apenas refletidos
Em sentimentos de afeição, de paixão e desejo
Você me desfaz em palavras mortas jogadas ao vento
Que hoje não se vive mais.
Autor: Edson Felipe

LEMBRANÇAS DE MORRER

“...Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade - é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas.
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!
Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei. que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores.
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo.
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida...”
Álvares de Azevedo

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Epitáfios

Quando chegar a hora
Quando o dia não raiar
Quando a vida deixar de viver
Quando não mais me tiver
Cairás na realidade
Sentirás o peso da verdade
E sofrerás por não mais me amar.
Quando o sol não brilhar
Quando a lua se apagar
Quando as estrelas começarem a cair
Quando o mundo não mais girar
Verás que eu sofri tentando de amar
Acreditarás que mentir
Em não te sentir, renegando te amar.
(EDSON FELIPE)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Decadência


Malicias que mim tragavam
Tirada do desejo tóxico da alma
Vicio da poluição que nos leva a degradação
Programado para autodestruição
Controle de manipulação
Saliva de líquido inflamável
Mãos enferrujadas provocando tétano
Engrenagens descontroladas
Motores sem ignição
Corpo coberto em chamas
Sinistro em erupção
Ergonomia adormecida em sua posição
Alienados pra acontecer
Humanos em extinção.
(EDSON FELIPE)